Fui diagnosticado com Síndrome de Guillain-Barré. E agora?

Nesta página, você vai entender:

  • O que é a SGB.
  • Como a SGB se manifesta.
  • Como o diagnóstico é realizado.
  • Quais são os cuidados iniciais após o diagnóstico.
  • Quais são os tratamentos disponíveis.
  • O que esperar durante a recuperação.
  • Principais dúvidas e orientações para o paciente e familiares.

O que é a Síndrome de Guillain-Barré (SGB)?

A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição que afeta os nervos periféricos, responsáveis por espalhar os sinais do sistema nervoso central para os músculos e outras partes do corpo. Na SGB, o sistema imunológico, que normalmente protege o organismo, passa a atacar a própria bainha dos nervos, causando inflamação. Essa agressão resulta em fraqueza muscular que geralmente inicia nas pernas e pode subir para os braços, o tronco e até mesmo afetar os músculos envolvidos na respiração. Ao se tratar de uma poliradiculoneuropatia, a doença pode provocar sintomas variados, mas os mais característicos incluem dor, sensação de formigamento ou dormência e dificuldades em movimentos de rotina.

Como a SGB se manifesta?

Os primeiros sinais de SGB costumam ocorrer de forma súbita e podem incluir:

Fraqueza muscular

Inicialmente nas pernas, que pode se intensificar e subir para os braços e outros segmentos do corpo.

Sensações anormais

Dormência, formigamento ou dor, principalmente nas extremidades (mãos e pés).

Reflexos reduzidos ou ausentes

É comum que os reflexos dos músculos estejam diminuídos, o que pode ser percebido durante um exame neurológico.

Dificuldades em funções importantes

Em casos mais avançados, pode haver comprometimento dos músculos responsáveis pela respiração e pela deglutição (engolir), além de afetar os nervos cranianos que participam de diversas funções da face.

O curso da SGB é geralmente monofásico – isto significa que uma única fase de doença ocorre, atingindo o pico de fraqueza em até quatro semanas (na maioria dos casos, o pico se apresenta durante as primeiras duas semanas), seguido por um período de estabilização e depois pela recuperação gradual. Em aproximadamente dois terços dos pacientes, a doença é precedida por uma infecção respiratória ou um episódio de diarreia, que pode servir como um gatilho para o início do quadro.

Como o diagnóstico é realizado?

O diagnóstico de SGB é, em grande parte, baseado na avaliação clínica – ou seja, na análise dos sintomas e sinais apresentados pelo paciente. Contudo, para confirmar a suspeita e excluir outras condições que possam causar fraqueza ou paralisia, alguns exames complementares são indicados:

Exames eletrodiagnósticos

Testes de condução nervosa e eletroneuromiografia podem mostrar a velocidade de transmissão dos sinais nervosos e ajudar a identificar o padrão de envolvimento dos nervos.

Análise do líquor

Em muitos casos de SGB, a coleta e análise do líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal revela proteínas em alta concentração com número normal de células, um achado clássico da doença.

Esses exames auxiliam na exclusão de outras causas de paralisia e fraqueza aguda, confirmando o diagnóstico e definindo a estratégia de tratamento adequada.

Quais são os cuidados iniciais após o diagnóstico?

Após o diagnóstico, o acompanhamento deve ser realizado num ambiente hospitalar, preferencialmente em centros com recursos de cuidados intensivos e equipe multiprofissional. O manejo dos sintomas e a prevenção das complicações são fundamentais para obter um desfecho favorável. Nessa fase, os cuidados se concentram em diversas áreas:

Monitorização respiratória

É essencial avaliar a função dos músculos envolvidos na respiração. Em casos com sinais de comprometimento, a monitorização periódica dos níveis de oxigênio e a reserva ventilatória são realizadas. Se necessário, a ventilação assistida pode ser empregada para garantir a adequada troca gasosa.

Prevenção de complicações

Complicações como pneumonia aspirativa, embolia pulmonar, arritmias cardíacas e sepse hospitalar podem ocorrer. Por isso, medidas de prevenção – como utilização de dispositivos para prevenção de trombose, controle rigoroso da dor e proteção das vias aéreas – são aplicadas desde o início.

Acompanhamento neurológico e avaliação de função

Profissionais da saúde realizam avaliações constantes da força muscular e dos reflexos, permitindo ajustar o tratamento conforme houver progressão ou estabilização dos sintomas.

Suporte nutricional e psicológico

As necessidades alimentares podem mudar durante a hospitalização e, muitas vezes, a manutenção de uma boa nutrição é crucial para a recuperação. Além disso, o suporte emocional e psicológico é importante para ajudar o paciente a lidar com o estresse e a ansiedade decorrentes do processo clínico.

O tratamento da fase aguda da SGB visa acelerar a recuperação e diminuir os riscos de complicações. Os principais métodos terapêuticos incluem a Imunoglobulina ou Plasmaférese.

Ambos os tratamentos são considerados eficazes e a escolha entre um deles pode depender de vários fatores, incluindo a disponibilidade na instituição de saúde e o estado clínico do paciente. Em muitos centros especializados, a decisão é baseada na avaliação detalhada do quadro clínico e do risco de complicações.

O que esperar durante a recuperação?

Cada caso de SGB possui uma evolução única. Em geral, a fase aguda pode durar desde alguns dias até algumas semanas, seguida por um período chamado “fase de platô”, durante o qual os sintomas se estabilizam. A recuperação, que pode ocorrer de forma lenta e gradual, depende de diversos fatores, como:

Idade do paciente

Pacientes mais jovens tendem a apresentar recuperação mais rápida e completa.

Severidade inicial dos sintomas

Um início muito abrupto e grave pode estar associado a um tempo maior de recuperação.

Resposta ao tratamento

A eficácia dos tratamentos imunomoduladores e o início precoce da reabilitação física são determinantes importantes para um bom desfecho.

Suporte e cuidados intensivos

A prevenção de complicações (como infecções hospitalares e problemas respiratórios) e a manutenção adequada dos cuidados intensivos favorecem a recuperação.

Estudos mostram que, em muitos casos, pacientes conseguem recuperar a habilidade de caminhar sem auxílio dentro de seis meses após o início dos sintomas. Contudo, há uma variabilidade significativa, e o tempo de recuperação pode ser maior ou menor conforme as características individuais e a extensão dos danos causados pelo processo inflamatório.

Principais dúvidas e orientações para o paciente e familiares

O que causou a SGB?

Em muitos casos, a SGB é desencadeada após uma infecção respiratória ou um episódio de diarreia. Não há culpa ou falha pessoal envolvida.

A SGB não é contagiosa. Trata-se de uma reação do organismo que afetou os nervos e que, apesar do impacto, possui um tratamento direcionado e bem definido.

Cada pessoa responde de forma única à SGB. A maioria dos pacientes se recupera completamente, embora o tempo de recuperação possa variar de algumas semanas a meses. No entanto, uma parcela dos pacientes com SGB pode evoluir com complicações e, nesses casos, o tempo de recuperação pode ser prolongado. Em alguns casos, o retorno às atividades cotidianas pode demandar adaptações e um período gradual de reintrodução às atividades normais.

A hospitalização é necessária para monitorar a função respiratória, prevenir complicações e iniciar o tratamento o quanto antes, garantindo uma recuperação mais segura.

Os tratamentos na fase aguda da doença incluem imunoglobulina intravenosa e plasmaférese, que ajudam a reduzir a agressão do sistema imunológico aos nervos.

Embora raro (cerca de 3% dos casos), a recorrência pode ocorrer. A necessidade de cuidados prolongados e a realização de acompanhamento regular são importantes para identificar qualquer mudança a tempo.

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